A
Porta de Prata se fechou às costas de Sofia. Ela sentiu a areia em seus pés, o
vento salgado balançando seu vestido. Metros à frente o mar encontrava a praia,
vinha e ia na areia. Ruínas de prédios na água, as pilastras e restos de
paredes açoitadas pelo mar. Ela andou vagarosamente até dois prédios isolados,
interligados por uma estreita plataforma de metal azul, com uma escada para
acessá-la. Vinte e sete degraus depois Sofia viu no fim da plataforma, além dos
prédios, uma coruja com chifres de cervo saindo logo acima do bico.
—
Bom dia, dorminhoca— disse ele quando ela se aproximou e sentou na plataforma,
deixando os pés suspensos sendo lavados pelas ondas que passavam centímetros
abaixo— ei, sabia que criei um blog?
—
Massa— exclamou, ela parecia interessada, mas quem a conhe-cesse perceberia que
era o contrário— O que é um blog?
—
“Massa”? Quem diz “massa”?
—
Ah, desculpa— disse sarcástica— Estou desatualizada uns DEZ ANOS.
A
coruja virou a cabeça para Sofia, seus olhos violetas mudando para dourado.
—
Você ainda está presa... Seja paciente,
tudo dará certo.
—...
Você não é muito fofo.
—
Sou a maior fofura que você já viu.
—
Convencido.
—
Grossa...
Os dois sorriram, depois riram e então pararam
e admiraram o horizonte. O céu acabava onde o mar esverdeado começava,
misturados como tintas na água.
—
Essa é a biblioteca? Não vejo livros.
—
Cada nuvem tem uma história, moldadas pelo vento e pela chuva. Cada grão de
areia e cada prédio moldados pelo tempo. Estes são os livros... Por enquanto.
—
E esse blog? Como vai ser?
—
Qualquer coisa que gosto... Como o que escrevo, desenho, penso.
—
Depois diz que não é convencido— ela revirou os olhos e deitou na plataforma,
deixando os braços pendendo e não perdendo o toque com o mar— Ah, isso é tão
bom.
—
Não sou convencido, sou realista. E não será só o que produzo. Novamente, serão
quaisquer coisas que gosto.
—
E como ficará Arquípedes?
—
Irei publicar seus livros, assim como ele deseja... ou seja, como eu desejo. E
servirá como um modo mais simples de interferir.
De choque, Sofia arregalou os olhos e num pulo
sentou de novo, encarando Drax, abismada. Como se ofendido ao perder o toque
dela, o mar recuou.
—
Interferir é... Você não pode— ela falava alto, quase gritando, não percebendo
a sombra que vinha rápida no horizonte— Nenhum autor interfere e se interfere
é... errado! Sim! Errado!
—
Nervosa? — Drax retrucou, com voz risonha— Não se preocupe, não farei nada
errado.
— Interferir é errado.
—
Sim, sim... Infelizmente não temos mais tempo— Drax se virou, seus olhos eram
como caleidoscópios, uma onda enorme estendia sua sombra cobrindo o sol— Não
tenha medo. Estou aqui, e quando não estiver, meus livros estarão. “Respire o
fogo da terra, dance os horizontes inominados e transcenda para dentro de si”, de
um de meus autores.
Sofia não teve tempo de reagir ás palavras da
coruja, só conseguiu pensar na onda... e em algo nela...
—
Bonecas?
Ass: Dr@x
Nenhum comentário:
Postar um comentário