sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Apresentações

A Porta de Prata se fechou às costas de Sofia. Ela sentiu a areia em seus pés, o vento salgado balançando seu vestido. Metros à frente o mar encontrava a praia, vinha e ia na areia. Ruínas de prédios na água, as pilastras e restos de paredes açoitadas pelo mar. Ela andou vagarosamente até dois prédios isolados, interligados por uma estreita plataforma de metal azul, com uma escada para acessá-la. Vinte e sete degraus depois Sofia viu no fim da plataforma, além dos prédios, uma coruja com chifres de cervo saindo logo acima do bico.
— Bom dia, dorminhoca— disse ele quando ela se aproximou e sentou na plataforma, deixando os pés suspensos sendo lavados pelas ondas que passavam centímetros abaixo— ei, sabia que criei um blog?
— Massa— exclamou, ela parecia interessada, mas quem a conhe-cesse perceberia que era o contrário— O que é um blog?
— “Massa”? Quem diz “massa”?
— Ah, desculpa— disse sarcástica— Estou desatualizada uns DEZ ANOS.
A coruja virou a cabeça para Sofia, seus olhos violetas mudando para dourado.
— Você ainda está presa... Seja paciente, tudo dará certo.
—... Você não é muito fofo.
— Sou a maior fofura que você já viu.
— Convencido.
— Grossa...
 Os dois sorriram, depois riram e então pararam e admiraram o horizonte. O céu acabava onde o mar esverdeado começava, misturados como tintas na água.
— Essa é a biblioteca? Não vejo livros.
— Cada nuvem tem uma história, moldadas pelo vento e pela chuva. Cada grão de areia e cada prédio moldados pelo tempo. Estes são os livros... Por enquanto.
— E esse blog? Como vai ser?
— Qualquer coisa que gosto... Como o que escrevo, desenho, penso.
— Depois diz que não é convencido— ela revirou os olhos e deitou na plataforma, deixando os braços pendendo e não perdendo o toque com o mar— Ah, isso é tão bom.
— Não sou convencido, sou realista. E não será só o que produzo. Novamente, serão quaisquer coisas que gosto.
— E como ficará Arquípedes?
— Irei publicar seus livros, assim como ele deseja... ou seja, como eu desejo. E servirá como um modo mais simples de interferir.
 De choque, Sofia arregalou os olhos e num pulo sentou de novo, encarando Drax, abismada. Como se ofendido ao perder o toque dela, o mar recuou.
— Interferir é... Você não pode— ela falava alto, quase gritando, não percebendo a sombra que vinha rápida no horizonte— Nenhum autor interfere e se interfere é... errado! Sim! Errado!
— Nervosa? — Drax retrucou, com voz risonha— Não se preocupe, não farei nada errado.
 — Interferir é errado.
— Sim, sim... Infelizmente não temos mais tempo— Drax se virou, seus olhos eram como caleidoscópios, uma onda enorme estendia sua sombra cobrindo o sol— Não tenha medo. Estou aqui, e quando não estiver, meus livros estarão. “Respire o fogo da terra, dance os horizontes inominados e transcenda para dentro de si”, de um de meus autores.
 Sofia não teve tempo de reagir ás palavras da coruja, só conseguiu pensar na onda... e em algo nela...
— Bonecas?
Ass: Dr@x

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